Jovem supera deficiência com equoterapia
A Tarde Salvador, 06/01/2002
Dependência de drogas, autismo, deficiências física e mental, dentre outros problemas, vem cada vez mais sendo tratados com métodos que fogem do convencional e, o que é mais importante, obtendo retorno positivo Marilena Neco
O garoto Iuri Guimarães Brito, ao nascer, teve anoxia neonatal, a conhecida paralisia cerebral. O pequeno, cuja vida se anunciava sem perspectiva, deu lugar a um jovem que, pouco a pouco, foi vencendo as limitações e hoje, aos 20 anos, está para cursar uma faculdade. Iuri, recentemente, foi aprovado no vestibular para Publicidade e Marketing. O que possibilitou ao recém-universitário ter uma vida normal, guardadas as limitações que a doença impunha, foi a equoterapia, um método complementar interdisciplinar que utiliza o cavalo como instrumento terapêutico.
Dependência de drogas, autismo, deficiências física e mental, dentre outros problemas, vem cada vez mais sendo tratados com métodos que fogem do convencional e, o que é mais importante, obtendo retorno positivo. A equoterapia é apenas um deles. Direcionado para distúrbios de comportamento, de aprendizagem, autismo, síndrome de Down, acidente vascular cerebral e paralisia cerebral, a equoterapia parte de uma avaliação dada por uma equipe composta de médico, fisioterapeuta, psicólogo e instrutor de equitação para obter resultados que podem surpreender, principalmente em pacientes com paralisia cerebral.
"A melhora se dá tanto no aspecto físico quanto psicológico do lesado cerebral", atesta Cristina Brito, presidente da Associação Baiana de Equoterapia, com conhecimento de causa. Ela é a mãe de Iuri e responsável pela implantação do método na Bahia, em 1993, por meio da Associação Baiana de Equoterapia. O método chegou ao Brasil em 89, através da Associação Nacional de Equoterapia.
Progressos - Iuri só veio a dar os primeiros passos aos 7 anos, ainda assim com quedas sucessivas. Aos 11 anos, ele se iniciou na equoterapia. "A partir daí, ele adquiriu auto-estima, autoconfiança e passou a ter melhoras significativas no equilíbrio e na coordenação motora. Se tornou uma pessoa independente nas ações do dia-a-dia, como escovar os dentes e almoçar. Mesmo com dificuldade motora, sempre freqüentou uma escola normal", relata Cristina, radiante com o sucesso do filho.
Mas por que a utilização do cavalo como método terapêutico? Ela explica que o animal, na andadura, realiza o movimento tridimensional (para frente, para trás, para cima, para baixo e para um lado e para o outro). Com isso, contribui para um relaxamento e aumento do tônus muscular, equilíbrio, noção espacial, concentração e mobilidade pélvica, beneficiando o paciente. "Tudo isso associado a outras terapias. A equoterapia é um método, além de eficaz, prazeroso, porque possibilita um contato com a natureza", destaca Cristina.
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