CURA ATRAVÉS DO CAVALO

 

Quem anda a cavalo sabe o prazer que esta atividade proporciona. Mas a maioria das pessoas desconhece os inúmeros benefícios – não somente ao físico, mas também à mente - que a cavalgada, ou um simples andar à passo, proporcionam.

Estresse, problemas físicos e psicológicos, podem ser tratados através da Equoterapia – ciência conhecida há milhares de anos e, que agora, vem sendo reconhecida como um dos mais eficazes métodos para a cura de inúmeros males – do físico e da alma.

A equoterapia – apesar de estar sendo valorizada e estimulada nas últimas décadas – é uma ciência milenar. Na Grécia antiga, por volta de 350 A.C. Hipócrates - o pai da medicina – já aconselhava a sua prática na solução de problemas de saúde, em especial para a insônia e, até para tratar de problemas comportamentais, como complexo de inferioridade. Também os árabes – que sempre lidaram com o cavalo – utilizavam a equoterapia como prática terapêutica. Porém, durante séculos a terapia permaneceu em plano secundário.

Foi somente após a II guerra mundial que a equoterapia foi novamente resgatada e passou a ser valorizada e estudada com a devida importância. Hoje, em muitos países, os resultados desta ciência são reconhecidos no tratamento de pessoas de todas as idades – crianças, adolescentes e adultos – portadoras de deficiências físicas e psicomotoras, com distúrbios psíquicos ou de relacionamento social.

Como se não bastasse, a equoterapia é excelente ainda para quem apresenta dificuldade de aprendizagem escolar. Afinal, montar à cavalo é um prazeiroso processo de aplicação dos melhores exercícios motores e psicomotores, além de proporcionar sensação de independência, o que estimula a auto-estima e auto-confiança.

Já estão comprovados cientificamente os benefícios da equoterapia para praticantes com deficiências motoras, paralisia cerebral, deficientes na produção de movimentos e com movimentos involuntários, problemas na coordenação, equilíbrio, lesões medulares e de nervos periféricos, patologias ortopédicas. Distúrbios de comportamento relacional, problemas de baixo-estima e outros também são solucionados através da ciência, que age ainda de maneira bastante eficaz em casos de pacientes psicóticos graves, com Síndrome de Down e autismo.

A importância da equoterapia vem sendo cada vez mais reconhecida e, em alguns países, a sua utilização vem crescendo a cada dia, no tratamento dos mais diversos males, chegando a algumas centenas de centros especializados. É o caso da Alemanha, onde existem 925 locais para a prática da ciência. Na França existem mais de 700 e, na Bélgica, mais de 300.

A equoterapia é um método utilizado pela fisioterapia para a habilitação e reabilitação de pessoas com deficiência. Com o uso do cavalo, a atividade melhora as condições motoras, emocionais e físicas dos praticantes.

O Senador Flávio Arns, que participará da abertura do evento, ressalta a importância do Congresso e da prática da equoterapia. "Teremos representantes de todos os estados brasileiros. São pessoas que já atuam na habilitação e reabilitação de pessoas com deficiência ou que possuem necessitam especiais e conseguem resultados surpreendentes", ressalta.

Arns foi relator do projeto de lei que inclui a Equoterapia entre os tratamentos custeados pelo Sistema Único de Saúde. O projeto, de autoria da Senadora Lúcia Vânia, já foi aprovado pelo Senado Federal e aguarda votação na Câmara dos Deputados.

Atualmente, a equoterapia pode ser oferecida pelo SUS, pois se trata de uma  metodologia utilizada no tratamento fisioterapêutico. Para isso, é preciso que estados e municípios estruturem a oferta do serviço, o que depende da vontade dos gestores. "O projeto torna clara a obrigação de que a equoterapia seja oferecida pelo SUS, não permitindo mais dúvidas a respeito do assunto", aponta.

Fonte: Jornal do Estado (02/09/2008)


A equoterapia alia o tratamento físico ao psicológico em casos de reabilitação motora e neurológica.

O cavalo é um animal mítico: transportou o homem por batalhas, inspira poder e sentimento de liberdade. Interagir com esse ser de cerca de meia tonelada traz benefícios físicos, psicológicos e afetivos em casos de deficiências motoras ou neurológicas. Na equoterapia, o trabalho com ele e sobre ele é traçado a partir de um plano individualizado. Quem estipula as metas é a equipe interdisciplinar de profissionais, que inclui psicóloga, fisioterapeuta, instrutor de equitação, condutor de cavalo e um profissional de educação.

Foi depois da Segunda Guerra Mundial que os médicos começaram a notar que o cavalo também podia ser amigo da saúde. Na Europa, os homens mutilados ou depressivos que praticavam equitação tinham uma melhora mais rápida e logo voltavam à vida social. Com os estudos desses benefícios, foram surgindo os primeiros centros de equoterapia em países como Itália, França e Inglaterra. Já em território nacional, a prática é mais recente: chegou há 18 anos com a Associação Nacional de Equoterapia (Ande-Brasil), cuja sede fica na Granja do Torto, em Brasília.

Mas o número de adeptos brasileiros deu um salto. Segundo estimativas da Ande-Brasil, em 1989 havia 6 alunos; o último levantamento, de 2005, aponta 13.760! No estado de São Paulo, há 65 centros filiados à entidade (no Brasil são 250), com uma média de 1.400 atendimentos por mês. Os centros credenciados seguem as regras estipuladas. "É necessário dispor de uma equipe interdisciplinar, e cada membro deve ter feito o curso de equoterapia na Ande-Brasil", fala a psicopedagoga Liana Pires Santos, representante da entidade em São Paulo.

Os cavalos são treinados para terem um modo específico de andar. Para cada caso a fisioterapeuta determina o ritmo do animal, o único que reproduz a marcha humana. A montaria proporciona o mesmo movimento de quadril dos humanos, trazendo benefícios motores. A equipe traça em conjunto os objetivos, levando em conta aspectos físicos, psicológicos, educacionais. E reavaliam as propostas a cada semestre.

Entre outras atribuições, Liana também coordena na capital paulista o centro de equoterapia Grupo de Abordagem Terapêutica Integrada (GATI), que atua na Estação Natureza - uma fazendinha arborizada, com galinhas, gansos, jumentos, um pavão, além dos cavalos e pôneis. "O cavalo aceita a pessoa como ela é."

Tratamento integrado
Na opinião dos pais de Ana Laura Cotrim Rebouças, de 5 anos, a equoterapia lhe proporcionou resultados rápidos e impressionantes. Ela é paraplégica devido a um tumor medular de nascença, retirado com sucesso depois de três grandes cirurgias, que afastaram o fantasma do câncer. Seu pai, o taxista Álvaro Henrique Zacarias Rebouças, conta que ela sempre fez fisioterapia. "Mas sentíamos falta de uma atividade em que ela pudesse se desenvolver mais." Foi uma passageira de seu táxi que comentou sobre a equoterapia.

Ele conseguiu uma bolsa para Ana Laura, que já freqüenta o atendimento há um ano, com duração de 40 minutos semanais . "Ela melhorou a auto-estima e a parte física", conta o pai. Antes, Ana Laura tinha medo de qualquer animal, até de bichinhos de pelúcia. Com o trabalho da equipe da equoterapia, o sentimento ficou para trás. Hoje adora montar nos cavalos e o contato com os outros animais do local.

Álvaro conta ainda que, antes, ela tinha pânico de cair sempre que era colocada para fora da cadeira de rodas. "Depois da equoterapia, ganhou equilíbrio espacial, aprendeu a relaxar, e hoje fica tranqüila fora da cadeira", conta. "A evolução foi impressionante em apenas um ano."

Pablo Henrique Pires, de 26 anos, portador de paralisia cerebral, é um dos alunos veteranos da psicopedagoga Liana. Ele pratica equoterapia há cinco anos e, assim como Ana Laura, perdeu o medo dos animais. "Pablo sempre quis ser atleta, mas tinha dificuldades motoras e para andar. Com a equoterapia, ele participa de campeonatos e isso melhorou muito a sua auto-estima", conta a mãe Maria das Graças Teixeira Pires. No campeonato do ano passado, organizado pela Ande, ele ganhou o primeiro lugar na categoria que participou. "O coração começou a bater forte", diz ele, fazendo o gesto com a mão.

Entre os benefícios físicos, sua mãe cita a melhora do tônus muscular e maior equilíbrio para andar. "Ele não andava melhor porque tinha medo de tudo. Essa é a grande vantagem da equoterapia: junta o trabalho físico com o psicológico." Pode-se dizer também que um dos grandes prazeres da prática é a aceitação incondicional do cavalo ao cavaleiro: ele não discrimina pernas saudáveis de doentes e se mostra um amigo fiel.

Leonardo Escandura Garcia, de 12 anos, tem Síndrome de Down e dificuldades motoras decorrentes de um problema de coração. Desde cedo, era submetido a natação, reorganização neurológica, fisioterapia e estimulação precoce. E pratica equoterapia há cinco anos. "Ele perdeu totalmente o medo de cavalo, sente mais segurança para andar e começou até a reter melhor as informações", conta a mãe, Silvia Garcia. "Isso está o ajudando na alfabetização e sentimos uma melhora até na fala."

Além dos ganhos físicos, Tiago Roschel, de 18 anos, se beneficia por ajudar os outros alunos nas sessões de equoterapia. Ele tem Síndrome de Down e, depois de suas aulas, conduz o cavalo para os colegas e alimenta os bichos. "Assim ele se sente útil", diz a mãe Raquel. "A equoterapia fez ele ser mais ousado."

Indicações variadas
A psicopedagoga Liana ressalta que o trabalho na equoterapia é com o cavalo e sobre o cavalo. "Eles interagem com o animal em várias situações." Há ainda atividades como pintura, jogos e aprendizado da anatomia do animal. "Unimos o lazer à terapia." Em todos os casos, o trabalho é gradual e acompanhado de perto pela equipe de profissionais.

O valor do tratamento costuma variar de R$ 200 a R$ 400 por mês. Geralmente, o atendimento é semanal, em sessões que duram 40 minutos. Liana informa que está tramitando uma nova lei federal que vai permitir o atendimento por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Por enquanto, quem não pode arcar com os custos tem uma alternativa: inscrever-se no Regimento de Cavalaria 9 de Julho (veja serviço), na capital paulista. Há uma espera de três a quatro anos para o atendimento gratuito em 11 centros na capital paulista.

A prática é recomendada para crianças a partir de 2 anos, especialmente para casos de paralisia cerebral, Síndrome de Down, acidente vascular cerebral (AVC), traumas, autismo, déficit de atenção, estresse, síndrome de pânico e esquizofrenia, entre outros. Só há restrições para quadros de luxação de quadril e instabilidade severa de pressão. "Mas, mesmo nesses casos, é possível determinar um bom programa de equoterapia, respeitando-se os limites", explica Liana.

Serviço
Ande-Brasil:
- Tel.: (61)3468-7092
- Site:
www.equoterapia.org.br

Regimento de Cavalaria 9 de Julho:
R. Jorge Miranda, 238, Luz - São Paulo/SP
- Tel.: (11) 3315-0003

 


 
 
 
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